Viajei distância indefinida para estar aqui. E as estradas por onde estive cobriam-se do amarelo que foge. A fuga. Nada me pertenceu. Animais pousaram na estrada: eu me fui. Fui no momento exato em que os animais desistiram do voo para estarem, pesados, nas minhas mãos. Os animais, deixei-os perplexos. Como então a água do rio que queria me levar para sempre... Deixei. Quando a hora da morte tombou-me à terra, não houve estremecimento nem luta. Caí, tão graciosa, tão plácida e tão acabada. Os vermes sorriram. O que sou agora, depois do tudo? Dirão: o nada! E, sim, sou o nada. Sou o nada porque reinvento e me concedo. Se tenho mãos ainda? Tenho, ora, tenho! Sempre. E que mãos tenho agora? As mãos de agora, que fazem e gesticulam, e envelhecem: o paradoxo. Falo? Falo, sim, falo. E minhas palavras, que não são minhas. Como as mãos. Sinto o cheiro de um passo distante na relva. Ouço a cor do murmúrio distante. Chegam aos meus ouvidos as tremeluzências do mundo. Clareza... a clareza... a clareza...
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