A vida é sempre um poema
Às vezes penso "não vai dar"
Mas sem querer e até sem rima
Surge uma coisa pra alegrar
Pode tocar uma ligação
Inesperada entre vogais
Às vezes uma conversação
Entre idiomas bem desiguais
Surpreendentes às vezes são
As contrações e os partos normais
Contradições que a gente tem
Sinceramente, não são tão más
Falando nisso, vê a beleza
Dos versos simples, acidentais?
E quando então se perde a certeza
Há uma chance de um verso a mais
E outro verso, e um outro espaço
Um novo rumo me deixa em
pe
da
ços
Passos
Passos
Passo (-te um pedaço)
De mim
Um singular bem plural
Porque posso
(Veja só, veja só)
Ser outra classe gramatical
O passado mais que imperfeito
Acredite, não tem mais jeito
Então valorize o seu sujeito
E faça aquilo a que tem direito
Você tem: o direito de errar
Sintaxe, ritmo, gramática
Você tem: o direito de ser dramática
Só não precisa se maltratar
Parece mesmo que não vai dar
E muitas vezes, mesmo, não dá
Mas há, e sempre há, alguma coisa a se tentar
Alguma pedra no seu caminho
Uma flor nasce do seu espinho
Nunca se sabe o que esperar
E a gente espera, espera, espera
Espera tanto até cansar
As linhas brancas criando letras
Os corpos quedos a balançar
Tudo vem da imaginação
Que nos espera para...
(Criar?)
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