O uivo quieto da madrugada
Descanso
Embora os olhos estejam
Fechados e abra-se então
O mundo tumulto
De dentro
As tripas, o sangue
A bomba que não explode
Penso nas folhas de fora
Porque ouço a parola
O rumor tranquilo
Que nada deseja
Então digo que a noite
A vida enseja
E deixa na boca
Um gosto de coisa crestada
Porque foi o incêndio!
Ora -foi!- sinto a felicidade
Da coisa avivada e silente
Do murmúrio do mar
Quando está negro
E o horizonte não existe mais.
Sou eu a coisa imóvel que ouve
Inerte no tempo que não avança
Nem volta
Sou eu a rua vazia e os
Sinais que abrem e fecham
Inutilmente
Sou o que o sono não veio
A televisão desligada e quente
O sem-juízo das horas do meio
Toca em mim uma felicidade
Estranha, sem culpa, sem tempo:
Estou só no mundo afinal
Sem temer a manhã abrasada
Nem as multidões vigilantes
Estou perdida no limbo
Feliz, inutilmente.
Descanso
Embora os olhos estejam
Fechados e abra-se então
O mundo tumulto
De dentro
As tripas, o sangue
A bomba que não explode
Penso nas folhas de fora
Porque ouço a parola
O rumor tranquilo
Que nada deseja
Então digo que a noite
A vida enseja
E deixa na boca
Um gosto de coisa crestada
Porque foi o incêndio!
Ora -foi!- sinto a felicidade
Da coisa avivada e silente
Do murmúrio do mar
Quando está negro
E o horizonte não existe mais.
Sou eu a coisa imóvel que ouve
Inerte no tempo que não avança
Nem volta
Sou eu a rua vazia e os
Sinais que abrem e fecham
Inutilmente
Sou o que o sono não veio
A televisão desligada e quente
O sem-juízo das horas do meio
Toca em mim uma felicidade
Estranha, sem culpa, sem tempo:
Estou só no mundo afinal
Sem temer a manhã abrasada
Nem as multidões vigilantes
Estou perdida no limbo
Feliz, inutilmente.
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