Seguia tudo à risca
Andava na linha
Regrinhas, regrinhas
Obedecia
Palavrão, palavrão
Não dizia
Ponto batia
Na igreja ia
Tudo que mandavam
Fazia
Todo dia, todo dia
Segunda a sexta
Pegava a linha amarela
Sábado e domingo
A linha da pesca
Não lia
Não ria
Se não fosse o trabalho
Ou a pesca
Não saía
Na cabeça
Outra linha
A do pensamento
Pensava, pensava
Nenhum tormento
A linha era reta
A vida era certa
O barco sem vento
Até que certo dia
Tudo que era certo
Pareceu bem torto
E na quarta
Não bateu o ponto
Resolveu passear
Deu muitas voltas
Ficou tonto
O coração bateu
O estômago tremeu
O olho viu
A cidade pareceu bonita
A mulher pareceu bonita
O céu nem era azul
Viu o homem de rua
Viu a criança brincando
Viu as flores na praça
Viu o homem chorando
A velha rezando
Viu coisas novas
Uma voz dizia:
"À risca, à risca"
E teve medo de mudar
Perderia a vaga no emprego
Perderia a vaga no céu
- Nem era azul-
E a voz dizia:
"À risca, à risca"
Já não sabia
O que mais valia:
O trabalho ou o coração
Que batia?
Não sabia, não sabia
Justo o homem que tudo sabia
Veio a dúvida
E, com a dúvida, a agonia
Enquanto a voz dizia:
"À RISCA, À RISCA"
Voltou pra casa
Abriu o armário
Achou o disco
Que há muito ouvia
Botou no rádio
Concentrou na harmonia
Percebeu as dissonâncias
As mudanças
Não sabia, não sabia
A voz dizia:
"À RISCA, À RISCA
À RISCA, À RISCA
ARRISCA, ARRISCA
ARRISCA, ARRISCA"
A palavra mudou
Tudo mudou
Veio a dúvida
E, com a dúvida, a alegria
Sorriu
Cantou
Cantou bem alto
A melodia
E, a partir daquele dia
Começou a sonhar
Sonhar bem alto
Até que, no balanço da pracinha
Alcançou o céu
Andava na linha
Regrinhas, regrinhas
Obedecia
Palavrão, palavrão
Não dizia
Ponto batia
Na igreja ia
Tudo que mandavam
Fazia
Todo dia, todo dia
Segunda a sexta
Pegava a linha amarela
Sábado e domingo
A linha da pesca
Não lia
Não ria
Se não fosse o trabalho
Ou a pesca
Não saía
Na cabeça
Outra linha
A do pensamento
Pensava, pensava
Nenhum tormento
A linha era reta
A vida era certa
O barco sem vento
Até que certo dia
Tudo que era certo
Pareceu bem torto
E na quarta
Não bateu o ponto
Resolveu passear
Deu muitas voltas
Ficou tonto
O coração bateu
O estômago tremeu
O olho viu
A cidade pareceu bonita
A mulher pareceu bonita
O céu nem era azul
Viu o homem de rua
Viu a criança brincando
Viu as flores na praça
Viu o homem chorando
A velha rezando
Viu coisas novas
Uma voz dizia:
"À risca, à risca"
E teve medo de mudar
Perderia a vaga no emprego
Perderia a vaga no céu
- Nem era azul-
E a voz dizia:
"À risca, à risca"
Já não sabia
O que mais valia:
O trabalho ou o coração
Que batia?
Não sabia, não sabia
Justo o homem que tudo sabia
Veio a dúvida
E, com a dúvida, a agonia
Enquanto a voz dizia:
"À RISCA, À RISCA"
Voltou pra casa
Abriu o armário
Achou o disco
Que há muito ouvia
Botou no rádio
Concentrou na harmonia
Percebeu as dissonâncias
As mudanças
Não sabia, não sabia
A voz dizia:
"À RISCA, À RISCA
À RISCA, À RISCA
ARRISCA, ARRISCA
ARRISCA, ARRISCA"
A palavra mudou
Tudo mudou
Veio a dúvida
E, com a dúvida, a alegria
Sorriu
Cantou
Cantou bem alto
A melodia
E, a partir daquele dia
Começou a sonhar
Sonhar bem alto
Até que, no balanço da pracinha
Alcançou o céu
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