As belas manhãs

Minha crença falsa
Destrói em ondas
O balanço real das coisas

Perdida nas palavras
Que não sei
Demoro a dizer...
E faço de coisas ágeis
De feras simples
Uma pedra e uma montanha

Minhas mãos tremem
Numa angústia sem sentido
Falo de sombras e distâncias
Assombrada na vaga aspiração
A um infinito

Me chamo sem nome
E me afundo em versos
Destroçados
Aquelas mãos que tremem
Escrevem em linhas tortas

Luto na miséria do meu sangue
Partida a um meio indefinido
Surto
E vagueio só num espaço impensado
Volto o caminho do demônio
Reaprendo a malícia das virtudes
Provo de novo a minha carne
E sorvo desse seio o fluido

Sou, enfim, e de novo
Bela manhã

Comentários