Ó, graça!

Sumida, fatigada 
entre meus dedos
apertados. Espremo ao ponto 
de haver
na minha pele 
todo o sangue.
Então daqui escorrem
a súbita vontade
e o veneno 
das imobilidades.
Deixo que tudo verta 
desse ponto
e siga em caminhos
desejados.
Nada há que se acumule
faça poça.
O sangue que me passa
é sempre hoje.
O ferro é outro 
e a carne se inicia.
Esvaída nesses fios eu
prossigo como bela
frágil nau
desembarcada:
Eu então já sei
compreendi a minha sina:
para nada, ó graça
essa vida de ser queda
e paisagem.

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