Mãe, hoje eu voltei da rua entristecida pelos maus pensamentos. A vida nesses últimos tempos tem sido um pouco difícil pra mim. Eu perdi a esperança, não consigo mais ver as coisas com tanta beleza. Não vou mentir que me bate uma vontade de desistir, de me entregar, de morrer. Não há mais a quem suplicar, a quem dedicar uma reza. Sou cética. Meus sonhos já vejo-os longe. Não acredito em quase nada. Desculpe tanto pessimismo, mãezinha. Desculpe por não ter te contado antes a razão do meu mau-humor. Voltei da rua daquele jeito porque não fui capaz de me entusiasmar com as coisas que antes me encantavam tanto. Fiquei mal percebendo o que eu sou agora. Estou nas trevas. Desculpe por dizer isso assim, com tanto drama. Mas vou tentar transformar isso, trazer a luz. Como você faz, mãe. Li o seu textinho, coisa simples, muito simples. E linda. Mais do que isso: nobre. Mãe, você é uma mulher muito nobre, muito bondosa. Desculpe por não dar atenção a isso na maior parte do tempo. Eu, com minhas pretensões, minha soberba, minhas frustrações de mulher complicada, me envergonho diante da sua nobreza, da sua simplicidade. Você escreveu que a vida passa rápido, e temos que aproveitá-la da melhor maneira possível. Sábias palavras, mãe. Como eu posso ter vontade de morrer quando tenho ao meu lado alguém como você? Desculpe por tratar você com menos amor do que deveria. Você sempre me perdoa, não é? Muito obrigada. E obrigada por todo o carinho, toda a atenção, todo o amor, toda a amizade, toda a simplicidade com que você vem nos afagar. Sei que esse não é o texto em homenagem ao dia das mães (ou melhor, a você) mais alegre ou confortador. No entanto, é o que posso dizer nesse momento. Não valeria a pena se escrevesse algo que não fosse sincero. Por fim, quero desejar a você um grande dia, um grande mês, um grande ano. Amo você.
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