Minha grande alegria

(Minha grande homenagem a Nietzsche)

Dei morte à vida
Sumi com os acordes
Seus gestos claros
Melancolia
Despedaçavam-se os dias
A carne não mais sonhava
Fomos parar perto de um não
Entristecia o céu apesar
Do azul luminoso, apesar
Da asa e do instante
Era já toda a luz distante
Que fazia eu?
Imaginação
Ligeira, passei por estradas
De um deus sonhador
Um deus ruidoso
Que ria! Ah, que ria!
Que ria,  e eu então não notava
Tal o pesar e tal a palavra
A brasa das horas sem tempo
Em minha pele parada
Não avisava o incêndio
Mas queimava, sim, queimava!
Andei ao largo do meu próprio caminho
Da longa marcha do pássaro
Estive longe do gesto do braço
Que animou as glórias
Do meu peito hoje lasso
(Meu peito hoje lasso e tão jubiloso!)
Partiu? Morreu?
Onde está o espaço?
Onde estive eu?
Me detenho, estou em minha mão
Farei de mim, então
A arte primeira
A grande magia
Serei o deus ruidoso
Que ria! Ah, que ria!
A tragédia sublime da vida

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