Pequenininhos

Tudo o que é pequenininho, sem ser o detalhe, o enfeite, a beleza, o deleite, o pedacinho de coisa boa, de coisa pouco vista, é triste. Pra quê? Pra quê? Essa mania de grandeza (coisa pequena!), essa vontade aparecer, de ser maior que tudo (coisa pequena!), de desenteder de propósito... Tanta estupidez, tanta crueldade. São esses senhores que cortam a mata; são esses senhores cínicos, que dão uma risadinha ao roubarem dinheiro com suas mãos ensaboadas. São esses senhores de terno e gravata, que adoram um esqueminha. São esses porcos malandros, essas cabeças doentes, esses corações sem amor. Esses senhores que babam por dinheiro, como os cachorros diante de um belo osso. Mas o osso tem sabor. Vai comer papel? Ganância, fome de poder. Podem tudo, é certo. Saem impunes depois de uma roubalheira, de jatinho, em grande estilo. Mantêm mansões, carros, vinhos caros... mantêm escravos trabalhando em seus latifúndios. Mas falta alguma coisa. Liberdade. Liberdade. Esses senhores não têm liberdade alguma. Belas as suas mansões. Belas as suas carruagens. Belas as suas malas de dinheiro. Belo o céu? Belo o mar? Bela a árvore que acabou de cortar? E os peixes? E o rio? E o homem?! Não veem beleza em nada disso. Vocês riem, mas é cinismo. O riso verdadeiro, de encontrar a borboletinha, o gato manhoso, o homem feliz, vocês jamais rirão. Passarão a vida comendo dinheiro, cagando dinheiro. Vocês conseguem tornar mais infeliz o mundo. Isso traz satisfação? É preciso ser muito patureba pra ser feliz sendo um patureba. Depois de tudo, vocês acabarão num caixão luxuosíssimo. Vai ter muita gente chorando lágrimas de crocodilo- seus herdeiros continuarão com sua podridão, não se preocupem. E quem prestar mais atenção vai perceber nos seus rostinhos cadavéricos um sorriso pequenininho, um sorrisinho falso, que vai ficar com os senhores por toda a eternidade. 

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