Ideal

Rogo à santa o fim da histeria despropositada, de chorar de madrugada por não ter de novo a fidalguia. Suplico a qualquer anjo, da guarda, querubim, médio, baixo, até o diabo, as lágrimas em via láctea transformadas. Tento subir sem escadas a altura do meu espírito imaginário. Elevou-se para além do que é real, para além do que é possível ir e ver e ter em algum nervo a experiência. Elevação de éter e estrela apagada, que faz brilhar aqui na terra, e eu olho com admiração insensata. Livra-me, então, ó santa, ó anjo, ó Lúcifer, livra-me dessa ausência atroz, desse pedaço de infinito, desse mastro sem bandeira. Afasta-me do sublime, do céu sem nuvens, ideal.

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