Amor livre

Pelas ruas ele anda sem saber: nem como nem onde. Sorri. Assim mesmo. Sua alma liberta-se a cada passo. Sua alma liberta. O amor deixou para trás. O amor deixou-o louco. O amor deixou. Deixou-se às ruas. E vai desse jeito, torto, estranho, sozinho. Pouco importa que esteja sozinho. Pouco importa sozinho. Ninguém o vê, nem o sorriso, nem o espanto. Nem a fuga. Esqueceu a razão do seu desvario, mas desvairado consome a dor e a angústia. Ama agora sem precisão. Ama todas as coisas. Ama qualquer coisa e uma coisa específica. Uma coisa sem nome. Sorri. O pássaro se expande, incha e arruina a borda. O pássaro prorrompe em assobio e grito e riso pela boca alegre. Tudo parece luminoso. O fogo finalmente se alastra pelo infinito.

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