Poemas antigos: Meu corpo morto

Meu corpo morto jaz
Sobre uma cama qualquer
Que seja o sol que arde
Lá fora
Me desabito, me abandono
Me lanço à escuridão

Tateando tolamente
Qualquer que seja
Uma mão, um caderno
Uma flor

Tento nessa escuridão
Encontrar qualquer que seja...
Um pedaço abandonado 
De mim

Meu corpo morto jaz
Sobre uma cama qualquer
Que seja o vento que sopra
Lá fora
Estou parada
Me torno o nada
Que nada leva
E nada deixa levar...

Tateando tolamente
Qualquer que seja
Um apito, um tambor
Uma flor...

Tento nessa escuridão
Sólida e triste
Encontrar
Qualquer que seja
Um pedaço da vida
Que deixei
Um resto 
Da energia que tolamente
Se embrenha pelo meu corpo

Quero viver!

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