Poemas antigos: Esquecimento numa sala de teatro

A luz se rende à escuridão
Tudo some
Tudo morre
Todos os detalhes
Dessa encenação

Condenados à eterna solidão
Os homens, as mulheres
Os bichos, os monstros
As gaivotas, as bailarinas
Sumirão no tempo
Serão só esquecimento
Meu, teu e de Deus
(Aliás, é só o que Ele faz:
Esquecer)

Os tiros, as guerras
Os beijos e o sangue
Tudo sumirá
Como num espelho
Colocado à frente
Doutro espelho

Sumirão porque são infinitos

Assim ecoam pela sala de teatro

Até que chegam às mãos
E surgem os aplausos

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