Cão sem dono

Há de ser este poema
um sincero límpido um tremendo
cão que cheira o teu rabo angelical?
Terá ele a qualidade de um amor
paspalho um verso do caralho
e um lirismo imbecil?
Será este poema vil poema
de homem enamorado
de poeta afrangalhado 
de indigno porte das majestades decaídas?
Logrará este poema vil poema
a beleza de um beco sem saída?
Ou mais: a honestidade de Ariza
ao foder como um puto 
por amor?
Digam que sou uma mulher sem orgulho
Uma mulher que aceita tudo
E alcançará este poema a baixeza
de um corpo suplicante rastejante
sujo nas calçadas vil calçadas
dessa porca cidadela?
Não me traz o amor
honrarias nem emblemas
nem me torno efígie em moeda
nacional
Sou patureba babaca trouxa 
escrevo palhoça sentimental
exalto o teu rabo o teu gabo 
teu cabelinho mal ajambrado

E acho ainda muita graça
Muita graça!

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