Ego

Tenho às vezes vontade de morrer.
Não é sério.
Jamais engoliria remédios em quantidades
desvairadas.
Jamais afundaria faca em minha pele quase 
juvenil. 
Mas tenho vontade de morrer.
Porque na morte não há essas malditas,
essas palavras.
Não há fins nem meios.
Não há eu.
Não há outro.
Não há ego.
Na morte não há esse símile
pretensioso
de poesia.

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