É muito difícil escolher
palavrinhas para abrigar a emoção que o teatro provoca. Decerto que não
conseguirei reproduzir nem a mais singela das experiências teatrais; contudo,
sinto-me encorajada (será aquela energia cênica?) a continuar, afinal, fazer
teatro é também lançar-se apaixonadamente ao desconhecido, ao imprevisível, ao
mágico. E eu faço teatro!
Em meados do
ano passado, que ameaça ser ano retrasado, eu entrei em uma sala pequena,
localizada no segundo andar de um prediozinho na Saens Peña, atrasada e sem ter
a menor noção do que iria fazer. A sala estava cheia: meninos e meninas
arriscavam passos de balé, uns- como eu- sem a menor habilidade. De todo modo,
eu estava concentradíssima, fazia o meu melhor. É sério. Depois daquele
aquecimento pouco habilidoso, o grupo, sob a regência de um cara simpático,
cujo nome eu ainda não tinha decorado, ficou mais denso, carregado, cinza até.
Éramos nuvens. Trovejava, chovia, caía granizo. E depois fomos vermes. E pais,
e mães, e equilibristas. A partir desse dia, eu passei a ter diversos nomes, a
sentir, não como eu, apenas, mas como os personagens que criava.
Foi no teatro
que eu comecei a falar palavrões em público. Foi no teatro que abracei sem ter
vergonha. Foi no teatro que eu aprendi a pensar com o corpo. Foi no teatro que
eu conheci Diego Braga, o melhor professor que eu poderia ter. Foi no teatro
que eu conheci Biancas, Dianas, Dandaras, Júlias, Júlios, Lorenas, Letícias,
Anas, Tatianas, Isabéis, Alessandras, Claras, Gabriéis, Ruans, Pedros, Brenos,
Manuchis, Ricksons, Marllons, Joãos, Luízas.
(Foi no teatro que eu experimentei a liberdade.)
Para todos os
meus companheiros nessa arte sem igual, peço desculpas por não conseguir
escrever um texto decente. Então, o que deixo, de verdade, é um abraço.
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