Falsa pedinte

Deveria ser mais amada e olha para mim, à procura desse mais-amor. Sempre pesada, o que disser será vil, as palavras já são corrupção. Linguajar jurídico, gírias e jargões, palavrinhas de brincar, palavrões para ultrajes. Desde quando é uma mulher? E tem esse olhar? Suplicante! Entendo o que deseja; pode ser solidão o que sente. Ou o que vive. Ou o que pensa. Agarra-me com esta bocarra faminta, chora até a lágrima que guardara para o seu amor. Que não veio, moça entediada. Não me olhe assim, como olhava sua mãe quando menina mimada. O que pede não lhe posso dar. Sou falsa burguesa e não dou esmolas. Se acha que é riqueza o que guardo, esqueça! Aqui não há nada para você, nem para qualquer aventureiro que acredite em ouro enterrado. 

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