Essa lua, esse conhaque

Deitava na relva (era cama)
E contemplava, menina, as flores-rostos na cortina
As rosas velhas, amarrotadas
As rosas tristes, rosas caladas

E nos meninos bonitos...

(não há nada mais bonito que um menino bonito!)

...pensava

O céu prenhe de nuvens brancas
As nuvens de modelar!
Eu sozinha assobiando
De cabeça pra baixo

Eu via o mundo de cabeça pra baixo
-Baixo pra cabeça de mundo o via eu-
E fazia cambalhotas pra ver se endireitava

Na parede do quarto, um retrato meu
E um do meu irmão
Coisa gostosa ter um irmão...

A gente olhava, cada um pro seu retrato,
E escutava os assobios passados

Minha irmã também era uma gostosura
Monte de dobrinhas, chorona
Toda cheia de manha, a Beatriz

Meu pai tocando violão pra gente
"Vento de Maio"
E ventava mesmo lá fora 

(se era maio, já não sei)

Minha mãe brincando com a gente
Aquela criança risonha e rosada

(naquele apartamento era muita luz que entrava)


Drummond comovido, mas era aquela lua
E aquele conhaque.
Eu abstêmia, com o que justifico esse lirismo?!

Ah, os meninos bonitos...

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