O cego berrava.
Chorava pelo dia morto,
enterrando a bengala
no chão duro, de concreto
Berrava como bicho colérico.
Aquele berro dos cães
em noites de lua.
E incorporava fantasmas uivantes,
espectros sombrios de vidas passadas.
O cego berrava.
Talvez ali pudesse ver sua luz.
Porque os milagres
operam
no escuro.
Chorava pelo dia morto,
enterrando a bengala
no chão duro, de concreto
Berrava como bicho colérico.
Aquele berro dos cães
em noites de lua.
E incorporava fantasmas uivantes,
espectros sombrios de vidas passadas.
O cego berrava.
Talvez ali pudesse ver sua luz.
Porque os milagres
operam
no escuro.
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