Lapinha- boemia carioca, gente bonita e embriagada; louros bem vestidos e cavalos de salto alto. A Lapa é uma barulheira só, pois as pessoas, fumando centenas de cigarros, já altas pelas fartas doses de cachaça ou outra bebida qualquer, falam a todo pulmão. Além das vozes desplugadas, tem ainda o som dos conjuntos de samba vagabundos, o som dos videokês dor-de-cotovelo, o som das guitarras de rock`n`roll... Mas, em meio a tanta balbúrdia, tantas latas de cerveja derrubadas, escuto o silêncio.
Não me farei de rogada, não tentarei ser imparcial. O silêncio é minha parte preferida. Sei não, mas o pipoqueiro escondido parece muito mais belo do que o gringo de olhos azuis. E a velha que vende salgadinhos é muito mais interessante do que eu, arrumadinha e com os olhos pintados de azul. A Lapa, por mais inacreditável que pareça, só é tão maravilhosa por causa do silêncio. Eu vou andando, me perdendo naquelas ruas fedidas e vejo o brilho colorido da Lapinha. O brilho que não está nos desgastados arcos, nem na escadaria de azulejinhos. Muito menos nas luzes alucinógenas das festas de segundo andar. O brilho da Lapa está no olhar do pipoqueiro e na vendedora de salgados baratos. Está no rapazinho dos drops, na simpática garçonete. O brilho está nessa gente encantada, que, no silêncio, até passa despercebida. Ou quase.
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