Ininteligível

Faltam-me as palavras. Com artigo definido, desse jeito mesmo. Tenho a desconfiança, com tendência à certeza, de que há nesse universo léxico as palavras de que preciso e, no entanto, desconheço. Iniciei há alguns meses o curso de Comunicação. Sou, portanto, "iletrada" ainda. Capacidade para discorrer sobre os assuntos mais árduos e subjacentes às emoções (explosões, no meu caso) tenho quase nenhuma. O que aprendi até agora não me oferece a possibilidade de me fazer entender. A verdade- poética, não filosófica- é que explodo. Estou explodindo (o gerúndio cabe melhor). Já faz algum tempo que meu corpo parece um campo minado. Boa metáfora! Campo minado: sempre foi meu corpo, sempre foi o corpo de todo mundo. Mas só nos últimos tempos é que as bombas vem estourando. E a todo momento, sabe? O estado de tensão e paralisia a que todo homem cerceado por bombas é induzido foi superado. Agora tudo explode; o sentimento dilacera, perfura e corrompe. No instante em que comecei a correr, no instante em que deixei a inércia para o movimento, as bombas fatalmente liberaram-se. Uma após a outra: boom, boom, boom. Eu correndo feito louca. Nietzsche e seus bigodes fartos comigo. Nós dois descobrimos o prazer das bombas. Boom, boom, boom! Ha ha ha!

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