Explosão

Ah! meu ser exclamatório, encantado, infantil. Sinto-me como um balão reluzente, daqueles de festa de aniversário. Cheio de ar e de cor, e as crianças vão estourá-lo no fim do folguedo. Que oxigênios haverá em meu peito balonesco? Alegria, evidentemente, e 10 % de invenção. Eu fantasio minhas próprias fantasias com turbante das mil e uma noites, cauda de sereia, purpurina e lantejoulas. Tudo fica mais bonito assim. As fantasias adultas recuso; são dominadas por sentimento de morte, por mania de perseguição e semblantes assassinos. Parecem até um filme do Hitchcock. Na infância, entretanto,  as figuras mais horripilantes não são assim. São pernetas, ou têm os pés virados para trás, ou transformam-se em belos malandros defloradores. Confesso: têm até muita graça.

-Fim do folguedo-

Comentários