A mão de Portinari

De súbito, cumprimenta grosseira
e sem modos
a mão

toca agressiva a pele frígida


E, depois, resvala:

Pelos braços, pelos ombros
Pela nuca (agarra-a e sufoca!)
Sem ritmo, sem rima
Experimentando a carne e a sombra
Como se o ponto de fuga, a tinta
A cor e o volume
A ela aderissem
Sem cálculo algum!

Demora-se nos lábios
Para, quem sabe, segredar-lhes
Um sorriso
Paira então sobre as têmporas
Deixando-lhes ferrugem
E chega por fim aos olhos

"A mão só se vê com os olhos fechados"

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