Tuas mãos doem. São sujas. Sujeira pesada de chão, de prego, de sangue. Olhas para elas como para examinar suas feridas e labéus. Estiveste da cruz. Cuspiram em teu rosto, despiram tua carne. Choraste. E a cada palavra tuas lágrimas resolutas afluem em direção aos Céus. Suplicas. Onde estará Deus, se Ele existe? Estará mesmo entre as nuvens ou existirá nas fendas de tuas mãos castigadas? Olhas para tuas mãos à procura de Deus. E sentes Sua presença, que é dolorida, terrosa, olorenta como manipueira. Descobres, então, que Deus é mais esturro do que perfume. Choras. Não adianta pedir aos Céus, se os Céus são céus. Deus não é sagrado. É carnal, sangrento, pedregoso. És tu Deus. E choras.
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