Desfazenda

Permitam-me as asneiras, as infâmias e as blasfêmias
Ou censurem-me, que é igual
Sou águia sagaz, onça com a cara pintada
Entre meus dentes haverá sangue - de que animal?

Olho para as coisas, e são belas as coisas
E eu sou ainda mais bela, mais fera
Mais alto, longe e tanta
Mais puta, menos santa
Profanando, arruinando, desfazendo
No meu bem-aventurado afã

O tear de longa data acostumado
E é hora de fiar ao contrário
-Desfiem, desfiem! E jamais sirvam de lã

Façam o que der vontade
Façam o que a vontade der

Eu me jogarei em versos
Me jogarei inversos

E você jogará buraco
Pôquer, truco, canastra
Até quando o carrasco arrasta
Levando pra Direção

Eu vou por outra direção
Caminho sem mapa, bússola ou estrada
Vou cantando, desacompanhada
E chegarei a lugar nenhum
(Que essa lógica conheço bem)

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