Instante, eternamente

De tarde 
Andança solitária
Caminho de casa
Debaixo das amendoeiras imaginárias
Descortinou-se a eternidade

Eu, imersa no rosa mais bonito

Com os olhos vidrados nas velas do altar
Não podia ir nem voltar
Tal era a força do instante
O instante mágico, dependurado na aura lunar
Morrendo e sorvendo o seio da tarde

Eu, prisioneira do instante
Ouvindo um pouco mais que a quietude:
O som de um saxofone, ainda impúbere
Ainda pouco, choro da criança recém-nascida
Alucinação das emoções primeiras

Naquele espaço de tempo e de lugar
Perdido entre as infinidades universais estive
Presente
Meu corpo vivo, adormecido, pulsante
Fundiu-se à meia-luz
Ficou lá, esvaziado das horas e dos anos
Ficou lá, encantado com a lua distante
Ficou lá, chorando a descoberta dos homens
- A eternidade é um instante!

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